Clima, altitude, alimentação: o que você precisa saber antes de correr fora do país

Flexibilidade, força, equilíbrio, perda de peso: oito benefícios do pilates
1 de junho de 2017
Quais exames médicos prévios são recomendados para um atleta amador?
8 de junho de 2017
Mostrar todos

Clima, altitude, alimentação: o que você precisa saber antes de correr fora do país

Corridas de montanha, maratonas, meias… A variedade de provas interessantes realizadas fora do Brasil é enorme, e cada vez mais os corredores têm se interessado por, digamos, diversificar o seu currículo de atleta amador. Viajar para correr é ter a certeza de trazer na bagagem boas histórias para contar e muitas memórias para guardar. Mas não é só arrumar as malas e partir para a aventura. É preciso planejamento prévio e conhecimento do local para que imprevistos não estraguem a experiência.

Para te ajudar a planejar sua viagem, o Eu Atleta conversou com alguns dos nossos especialistas, o fisiologista Turíbio Barros, o cardiologista Nabil Ghorayeb, a nutricionista Cristiane Perroni e o treinador Gustavo Luz. O primeiro passo antes de carimbar o passaporte é fazer uma avaliação médica detalhada. Muitas provas grandes exigem atestado. O segundo, claro, é treinar sob a orientação de um profissional. Ninguém completa uma meia maratona, por exemplo, sem treinamento adequado. Feito isso, as próximas etapas vão depender do local escolhido.

Clima

É preciso verificar como é o clima da região, e isso não se restringe à temperatura e à estação do ano. O local é úmido ou seco? Haverá muitas variações climáticas durante o tempo estimado para a corrida? Tudo isso tem que ser previsto. Por exemplo, quando praticamos atividades físicas sob baixas temperaturas e com clima seco, não transpiramos. Mas não é porque o suor não está visível que não estamos desidratando. Portanto, é preciso manter a hidratação por tempo de prova, independentemente de estar ou não sentindo calor ou sede.

– Quando a umidade é baixa, o suor evapora rápido e não se percebe tanto a desidratação que ocorre. Você pode desidratar sem perceber. Isso pode causar dor de cabeça ao fim da atividade – explica Turíbio Barros.

Levar as roupas adequadas ao local também é essencial. Se você for para um lugar frio, fleece, segunda pele, corta-vento, protetor de pescoço, gorro, calça e luvas são indicados para correr. Mas é possível que o tempo mude, então, vale levar também roupas para temperaturas mais amenas.

Altitude

Algumas provas de montanhas têm ganhos altíssimos de elevação. Há ultra trail run com mais de 10.000m do nível do mar. Na verdade, nesses casos, vale o esforço, porque quanto mais alto se vai, mais deslumbrantes se tornam as paisagens. Há provas incríveis em todo o mundo. A Europa é o ponto alto, mas há disputas que não ficam atrás também na América do Sul, como a Patagonia Run que o Eu Atleta participou em abril.

De acordo com Turíbio, quando se sobe acima de 1.700m já existe um certo comprometimento da questão respiratória, embora a influência da altitude de fato só ocorra acima de 2.000m. Mas deve-se levar em consideração o esforço que está sendo feito na corrida e o fato de o atleta não estar acostumado a se exercitar nessas condições.

Alimentação

A alimentação é de extrema importância em qualquer corrida. Mas quando ela vai ser feita no exterior, é preciso atenção a certos detalhes. Você não sabe se vai encontrar os suplementos e/ou alimentos que vai precisar em outro país, portanto, é melhor levá-los com você. Mas não dá para entrar em outro país com bananas, por exemplo, então dê preferência aos industrializados, como géis, barrinhas de cereal e proteína, etc. Todos eles, aliás, devem ser acomodados na bagagem que será despachada! E claro, como a nossa nutricionista Cristiane Perroni sempre lembra, tudo o que será utilizado durante a prova tem que ser testado nos treinos.

– Monte um “kit de alimentação e suplementação” para a previsão de duração da prova e necessidade de reposição (ex: a cada 40 – 45 minutos, uma fonte de carboidratos). Leve um kit extra, principalmente se está correndo em trilhas ou montanhas, pois a previsão de duração não é tão precisa e pode se prolongar, exigindo maior reposição. Tenha opções de alimentos mais palatáveis, de fácil transporte e manipulação – orientou a nutri atleta.

Efeito avião

Outro fator a ser levado em consideração é o tempo que se vai levar para chegar ao destino da prova. Voos muito longos podem causar inchaço e desidratação, por isso, além de planejar a chegada uns dias antes da largada para que haja tempo de recuperação, alguns cuidados simples dentro do avião podem fazer a diferença depois.

– Pode acontecer de o nosso corpo levar mais de 24 horas para se recuperar do inchaço e da desidratação provocados por uma cabine pressurizada de avião. Para minimizar esses efeitos, evite bebidas alcoólicas e cafeína, que são diuréticos, tome água e experimente usar meias de compressão no avião – indica o treinador Gustavo Luz.

De maneira geral, a preparação para provas em outros países deve envolver um planejamento prévio adequado, onde clima, fuso-horário, altitude, alimentação, entre outros fatores, devem ser considerados. Não se deve menosprezar os efeitos negativos que o desconhecido pode trazer ao corpo durante uma corrida.

– É sempre muito arriscado enfrentar esses desafios sem um planejamento elaborado por profissionais competentes – alertou nosso fisiologista.

Feito isso, é arrumar as malas e se divertir. Boa corrida, boa viagem!